Uma comparação

Fui ver uma adaptação da peça O diário de um Zoológico de Albee aqui em Lyon. Vi para poder comparar com a do meu amigo João, pois havia gostado muito da dele… Gostei do trabalho dos francêses, sobretudo do ambiente intimista do pequeno teatro d’ Annagrame. Porém, achei que o nível de dramaticidade atingido na montagem recifence de qualidade superior. Na verdade tanto numa como n’outra existe um desnível entre os dois personagens da péça(lembro apenas de Jerry em ambas!). Talvez essa diferença exista já no texto e seja dificil de ser trabalhada cenicamente dando organicidade a ligação entre os dois individuos que se relacionam em um parque. Seja qual for o motivo dessa desigualdade, percebo que é importante notar as variações de comportamento de Jerry e a violência provocada por estas. Pude obeservar que o Jerry do meu amigo João conseguiu dar a essas variações, se comparado ao do ator francês, uma aparência bem mais coerente no sentido de construção de uma verossimilhança pscicológica do personagem. Um exemplo disso encontra-se num dos momentos mais fortes do texto: a hitoria de Jerry e o cachorro. Na montagém francesa, a formulação cênica não ajudava a intensificar o elemento trágico contido no texto. O cachorro era “vivido” por um cão em pelucia e isso impedia, ao meu ver, que o ator expressasse o sentimento de empatia contido no texto entre animal e homem. Já na adaptação recifence a solução cênica foi muito mais precisa. Eu penso sobretudo ao exercicio que assisti na UFPE que deu origem à motagem. Nele, em lugar de usar um objeto qualquer para produzir o efeito do dialogo com o canino, o outro ator faz o papel do animal. Impressinante a diferença. Eh preciso dizer que o efeito de contraste do texto que — ao tentar exprresar o desespero de um homem ao se deparar com o olhar, o suor, os odores do “cachorro”, ao estranhar e tentar inutilmente se comunicar, causar um efeito de empatia com um animal, com um objeto, com o papel higiênico — é mais latente quando o objeto, o animal, o suor, dão respostas ao próprio texto? Ora, na montagem francesa o fato do cão ser um objeto faz com que o ator force uma relação homem/objeto traduzida cenicamente da mesma forma. O público percebe isso. Já o expectador da peça no Recife tinha impressão de ver no cão vivido por Rafael o outro lado de Jerry… O outro, por mais outro que seja, olhava pra mim quando eu olhava pra ele.

Por essas e por outras, sou mais a do meu amigo João! Será que é bairrismo?

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