Separação sujeito-objeto(à Julia)

Outro dia lembrava-me com carinho de um debate já antigo: Eu, Julia e Rafa discutiamos sobre cobras e largatos. Meu último post fez vir a tona essa lembrança, aproveito dela para considerar os comentários.

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Aproveitando

Estavamos não sei onde (também desconheço o motivo e o porquê) e falavamos algo sobre “a verdade”, “o necessário relativismo”, etc. Julia, já na UFPE e cursando psicologia, Eu e Rafa ainda naquele lenga lenga de cursinho para fazer vestibular. Não deixa de ser engraçado tentar lembrar dos recursos, dos esforços, das estripulias de uma forma de pensar diletante e intuitiva diante da maior lucidez de uma lógica regrada(para não dizer sistematizada, pois imagino que isso seja um passo a mais). E é assim como vem a lembrança: de um lado Julia com exemplos precisos, justos, organizados pela razão; de outro Eu e Rafa, mais eu porque sou teimoso e não era irmão, tentando juntar fragmentos de nossa “experiência escolar” com outros de outra ordem, para negar a verdade de Julia(que era relativa para ela) e deveria ser universal, para nós.

Claro, nenhum detalhe da conversa me ficou. Porém, por lembrar da época, advinho qual argumento eu devo ter tentado usar para provar a verdade última: a velha e boa matématica. Devo ter dito indignado e enfurecido com a superioridade de Julia: “mas dois mais dois são quatro em qualquer lugar do mundo, isso não é relativo!é?” Hoje teria vergonha de cair nesse “realismo platônico”(quase pitagórico), porém é preciso responder aos comentários explicando os avanços(?) dados por mim em busca de um realismo outro, a fim de explicitar o meu ponto de vista sem reduzi-lo.

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Racionalismo aplicado

Pois bem. Não creio que o esforço de objetivação, que passa necessáriamente por um tipo de separação sujeito-objeto, seja contestável de todo. Se implosão dessa separação foi feita, tenho a impressão de vê-la apenas na crítica incontestável da fenomenologia ao estatuto positivista da desvinculação entre os dois, em absoluto. Ou seja: o que antes era dado pelos positivistas como dado(os famosos fatos), agora tem que ser visto como construido(para alegria dos jornalistas que podem pensar às vezes que a realidade é construida por eles!) .Porém, se é verdade que “o ponto de vista cria o objeto”, não é menos que não o pode criar a sua imagem e semelhança(como fazem alguns jornalistas e ciêntistas sociais mais ou menos bem informados!), e é nesse sentido que não me conformo na fenomenologia(tenho cuidado com os usos dela), e busco alcançar outros parametros epistemologicos de concepção do real.

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Exemplo da sociologia

Bourdieu dizia que o progresso nas ciências sociais dependia de um progresso nas condições de conhecimento. Para isso são nessarias, dizia ele, idas e vindas aos memos objetos, ocasioões para objetivar a relação subjetiva e objetiva ao objeto.

A sociologia que se diz fenomenológica, ao meu entender, faz meio trabalho e dificulta o trabalho de elaboração de objetos mais condizentes com a realidade empirica por não aceitar o trabalho necessário de objetificação das relações subjetivas e objetivas que mantemos com o objeto. Um exemplo disso em termos mais metodologicos que epistemologicos é a etnometodologia. Nela se fala até de “generosidade epistemologica” em oposição à tradicional “ruptura epistemológica”. “Os atores são conscientes de si[nesse sentido a psicanalise ajuda-me a dizer não a certos exageros!], o esforço do sociologo deve ser descritivo e não analítico, etc.” Todos esses argumentos que, de uma maneira ou de outra, nivelam formas de pensar diferentes em nome de um falso humanismo, são por mim rejeitados. Pois não vejo como a ciência pode não estar em oposição ao senso comum. E Husserl em pessoa, como também Bergson(representante maior do elitismo itelectual na França deve demorar em aparecer!) opunham suas formas de pensar ao “vulgato ordinário”.

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Voltando ao individuo, ao “eu socializado

Falando da “teoria da personalidade” Luicien Sève diz o seguinte: ” é naquilo que sua personalidade tem de mais essencialmente social que o individuo é mais singular, naquilo que ela(a personalidade) tem de essencialmente singular que ela é mais social”. A grande dificuldade a superar é essa. Acho porém que podemos nos pensar como individuos sociais e socializados. E isso para o bem de nossa psicologia. Mesmo sendo aqui uma psciqué um pouco blogueira e cheia de narcisismo. Pois é isso.

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