A festa dos dinossauros

Ontem foi o aniversário de meu irmão Pedro. Hoje vai ser a festa para comemorá-lo. Queria tanto estar lá para desejar ao pequeno algo de bom, pessoalmente. Com todo amor que tenho por ele, tentaria abraça-lo e expressar pelo olhar meu apego a todas as nossas diferenças e semelhanças.

***

Diferentes/Iguais

Somos diferentes sim, porém iguais. Sempre o tratei como um igual. Desagradava-me sempre o exageiro dos próximos com seus cuidados em damasia. Pedro é uma rocha. E sempre foi. Desde quando o vi pela primeira vez, quando voltei de Cuba, entendi sua disposição de carater estabelecida pela força :tinha menos de um mês e se fazia reconhecer pela potência inegualável do grito conciso, cortante.

***

Dinossauro(de Pedro): ou a fidelidade.

O carinho dele pelos dinossauros é de uma fidelidade pouco comum em tempos de pouca fé como o nosso. Não lembro de ter sido fiél assim na minha infância.Talvez minha primeira fidelidade tenha sido Valéria. Não. Já devia ter aprendido algo sobre essa insistência do mesmo, na escola. Mas para mim era como se a fidelidade fosse uma mémoria necessária de uma preferência minha. Ela consistia, se formulada em palavras de Pedro, no fazer esforço para reencontrar os dinossauros e de manter e reproduzir em mim os sentimentos de desejo fundamental, aquele que nos dá vontade de continuar a ir ao encontro de todos os repteis com mais de 20 metros de altura. Desde do primeiro pedido até hoje, Pedro sempre me pediu dinossauros de presente.

***

Pedro, Helder(Lorão), Eu e socialização

Acho incrível o fato dele viver na mesma familia a qual vivi e ter uma socialização tão diversa da minha e da de Helder. Está claro, Lorão e eu somos diferentes, mas nossas socializações têm semelhanças que nos explicam mutuamente e esclarecem tanto as distâncias como as proximidades de comportamento entre nós. Eh evidente as causas dessa diferença: as mudanças de posição social do núcleo familiar coloca Pedro em situações sociais as quais nunca nem eu nem Helder vivenciamos em nossa infância.

***

Bolsas Company e objetividade de classe

Pedro, espero, nunca vai precisar chorar e fazer chatagem emocional para os pais a fim de pressioná-los a comprar uma bolsa “Company” no shopping. Eh amargo depois descobrir que o fato de ter a bolsa não é suificiente para mudança de classe social desejada. Peupeu não precisa desejar mudar de classe social, pois ele é burguês e tem hábitos quase autênticos de burguês.(Um dia ele terá consciencia disso.)

A diferença de Peupeu no Capiparibe, para mim e Helder ter isso ou aquilo era um disfarce social necessário para nossa boa integração aos outros alunos do colégio Marista. Mas, para nossa triteza(temporária), o fazer de conta intrisseco ao fato de dois gorotos da UR-6 possuirem as tais bolsas da moda foi logo desmascarado. Desmoronou-se diante da resposta violenta da divisão objetiva das classes, diria um sociologo. Helder e eu, voltando para casa, chorando depois de um assalto o qual o ladrão colocara em evidência nosso plano de fingir ser como os outros da escola, eis um golpe forte. Descobrimos então o porquê dos estudantes do Marista possuirem bolsas “Company”: os pais deles possuiam carros, eles voltavam seguros para casa. Podiamos ser classificados nesse momento como “novos classe média” fazendo analogia aos “novos ricos”. Os “novos ricos” tem o dinheiro necessário para serem ricos, mas falta-lhes os modos de agir, as sabedorias do que se deve e não de se deve fazer, e eles terminam por trair a própria riqueza na falta de trato com os habitos aristocráticos ainda visados como forma de distinção social. Apenas pelo apredizado dessas “maneiras” o “novo rico” poderia objetivar sua nova classe social e ser socialmente aceito como rico sem aspas. Eu e Helder, inconcientes das forças sociais em questão, queriamos parecer crianças da classe média. Ora, não eramos isso e o esforço para parecer, aparecia. Hoje chamaria isso de sofrimento social, pois gerado por mecanismos própios a uma sociedade dividida em clases onde o risco de classificação(numa ou outra classe) é também um risco de desclassificação. Só o tempo e leitura crítica para curar as feridas e destruir o desejo tôlo de ser uma “criança burguesa”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s