Uma padaria mistériosa(Sobre o início de minha pesquisa)

O fato é que não estou conseguindo escrever nada sobre essa danada de Padaria Espiritual. Acho que é por isso venho aqui, dizer o que me intriga. Quem sabe não descubro com vocês as coisas as quais gostaria de poder entender desse grupo de poétas do final do século XIX (1892-1896).

Um descritivo da vida intelectual da Fortaleza da época talvez não seja desprovido de sentido. Assim, talvez, possamos entender a pertinencia de se querer estudar sociologicamente um grupo ou o jornal dele(O pão)em aparência tão desprovidos de interesse.

Fortaleza é nesse tempo uma pequena cidade do Nordeste brasileiro que conta pouco mais de 40 000 habitantes. Entre 1887 e 1900 contava-se 17 000 analfabetos. Em 1880 o ensino secudário acolhe mais ou menos 500 estudantes. Além diso, como podemos constatar nos cenários intelectuais nordestinos da época, literatura e jornalismo estavam imbricados e, junto a essa comunhão, as carreiras políticas também se intrelassava.

Amalgma de campos, coexitencia de dominios, dependência na articulação das esferas de autonomia. Eh nesse contexto que o Jornal O Pão, que tinha como intuito “dar pão do espirito para seu membros, em particullar, e para as pessoas em geral”, parece e aparece como fenômeno digno de nota e curiosidade.

Como nota meu orientador Norbert Bandier, “o caso da Padaria Espiritual permite esclarecer a natureza do que está em jogo, das coerções(contraintes), dos conflitos e das relações de força que caracterizam um campo intelectual local na sociedade brasileira do fim do século XIX. Decorrente da estreiteza das camadas cultas, não existe verdadeiramente um público para as criações literárias e de momento constituidas de ‘sociedades literárias’, de regrupamentos ‘corporatistas’, sua freqüentação alimenta uma sociabilidade autocentrada. Não exite um campo literário local: nenhuma edidora é identificável em Fortaleza, as edições das obras são feitas por conta do autor ou por ‘subinscrição’ utilizando uma gráfica pertecente a um jornal local.”

O título do artigo de Bandier é o que, de fato, deixa-me mais intrigado: “Esboço de analise socio-histórica de um grupo poético brasileiro: A Padaria Espiritual. Uma luta pela independência da literatura”.

Ora, se nos atemos um pouco a história do campo literário francês tal como retraçada por Pierre Bourdieu nas Regras da Arte e, com isso percebemos que,1) nos termos daquela analise, para que haja autonomia do campo e reinvidicação da mesma, é preciso uma configuração social na qual estejam inseridos e se desagregando elementos que delineiam uma relação de fronteiras demarcadas(champ/campo),2) como entender então um grupo que, em configução quase dialmetralmente oposta, aposta quase que utópicamente na busca por essa autonomia?

Perguto-me:seria essa questão pertinete, ou avalia de forma imprecisa o elemento específicamente anacrônico própio as atividades literárias periféricas que, nequela época, ainda viveriam de um mimetismo retadatário das correntes literárias européias?

Do ponto de vista teorico-metodológico a questão se dobra de elementos de imprecisão. A partir de quais condições um conceito pode ser transposto?Um conceito descritivo recebe ou não influencias do “ambiente empírico”, do “contexto” no qual foi formulado? Se sim, quais são? E em que sentido podemos manter sua “operacionalidade” diante de um novo contexto? O conceito em questão é, obviamente, o de campo.

Como podem ver, tenho mais perguntas que respostas a dar. Por enquanto o mais incomodo são as datas. Já para semana que vem seria preciso escrever uma boa dezena de páginas a respeito. Dia dez de dezembro vou ter que dissimular meus saberes sobre o assunto diante de professores e alunos durante vinte minutos. Haja coração.

Vou indo. Acho que ja me extendi demais para um post de blogue.

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