Sobre Objeto Mulher

Vou refletir sobre a apresentação de Valéria. Dizer minha opinião sobre o como a sociologia deveria tratar as informações dadas, uma vez que nenhum sociólogo pôde ver pessoalmente o evento.

E de início acho logo engraçado perceber o quanto minha atitude pode parecer estranha : analisar, criticar, pensar, elogiar, fazer comentários sobre algo não visto por mim. Mas tenho a meu favor um fato básico da produção de objetos nas ciências sociais : a maioria dos fenômenos estudados por historiadores o são por meio de informações como as que tenho a respeito de Objeto Mulher- texto de jornais, opinião dos agentes sociais envolvidos e documentos diversos, como fotos e a cópia do projeto, por exemplo. Claro, no meu caso minhas opiniões não serão propriamente sociológicas visto o teor pouco sistemático de minhas análises. Porém, quero crer, terão tinta de sociologia na medida em que se interessam às condições sociais da produção artistica e da sua percepção(que não chega a ser uma preocupação com a recepção). Além disso, tentarei dar uma visão baseada em material empírico verificavel, a fonte é única mas variada: o blogue de Valéria com opiniões sobre o projeto Obejto Mulher. Fonte limitada de onde decorre o risco de superinterpretar ou de subestimar os elementos comentados. Espero contudo não descortinar totalmente a janela deixando apenas entrar aqueles raios de sol que claream os objetos sem ofuscar os olhos.

Para mim existe algo de problemático(do ponto de vista sociológico) no pano de fundo da proposta do Objeto Mulher. O que evidentemente não tira em nada o valor propriamente artistico da proposta crítica de Valéria. Porém o sociólogo tenta vislumbrar primeiro aquilo que o artista teve de ocultar(consciente ou não-conscientemente) para produzir o efeito estético desejado. Para e por isso, ele contorna o evento da artista dizendo o não dito, inquerindo sobre os efeitos (analíticos) das escolhas feitas. Esses efeitos dizem mais respeito a um ângulo sociológico de percepção do problema da dominação masculina do que ao trabalho de estetização propriamente dito.

A proposta de crítica da violência masculina praticada contra mulheres, da maneira como foi tratada, erige uma visão abstrata do homem o qual aperece sem atributos outros que o fato de produzir violência num determinado momento e em determinados contextos. Claro, dirão alguns, era o tema a ser abordado. E além disso o artista tem o direito e o dever de escolher traços, construir tipos, alterar a realidade para produzir sua crítica. Sem discordar disso, apenas tento questionar essas escolhas para re-dimensionar aquilo que elas escondem no intuito de capturar alguns condicionantes das leituras do evento.

Como dito, o problema do sociólogo(e não o do artista) é que o apagamento dos atributos sociais do homem, apagamento produzido pela escolha da forma de tratamento dado por Valéria ao tema que visava associar uma visão fenomenológica (trabalhar a percepção imediata da mulher no momento de uma cantada) à ruptura ocasionada pela crítica da violência(o fato de expor um “perceber-se” ocasiona sem mediação outra uma ‘impressão de liberação’), gera redução tipológica da crítica. Ou seja, não se sabe ao certo quem é o homem que diz as cantadas, o importante é saber que quem as diz são homens. O que quero expressar com isso é a idéia segundo a qual essa crítica abstrata (que apaga os atributos sociais dos homens que praticam o tipo de violência em questão) condiciona o tipo de leitura da apresentação. E o faz no seguinte sentido: ela pede a redução em abstração das cantadas masculinas. Exemplo disso encontra-se na opinião da jornalista Olivia Mindêlo quando comenta o fato dos homens serem os mais interessados na apresentação e se apressa no julgamento ao dizer que eles “encarnam aquele modelo o qual a bailarina, autora da intervenção, estava se refenrindo em sua crítica aos assédios sofridos pelas mulheres nas ruas”. Para o sociólogo é importante esse comentário pois ele não pode deixar de fazer algumas associações importantes. Quando ele vê que a jornalista identifica durante a atuação de Valéria o modelo de homem criticado, e nota o tipo de cantada que ela usa como ilustração, o sociólogo é impelido pela pergunta: como não pensar que o “gostosa”, “madurinha”, “fiu,fiu”, por mais que possam parecer “universais”, não são associados geralmente às pessoas de classes sociais menos favorecidas economica e socio-culturalmente? Sem história social, o homem da rua (da Rua da Imperatriz) é sem dúvida aquele das cantadas.

Como sabido, não digo isso para proteger “os homens bem educados” da má reputação. Mas a performação de violência distinta nas cantadas é real socialmente. Os encantos vão de eufemismos mais comuns aos galãs da classe média como “princesa” e “ coração” ao expressionismo clulo da rafaméia popular com seus “bucetuda” , “apetitosa” e “gostosa”, implicando tecnicas diferenciadas de expressão da dominação masculina. Ora, a idéia é fazer pensar a “exposição pública do corpo feminino”. Certo. Mas quem expõe o faz para um público. A exposição certamente é pública, mas o público às vezes é privado- no sentido dele reprensentar apenas uma parte dos elementos realmente performativos da dominação masculina; o homem que passa na rua da Imperatriz dá que tipo de cantada?

Além desse aspecto teria ainda dois outros que um sociólogo(como eu) poderia usar para extrair elementos para uma boa reflexão. Um trantando de outro apagamento similar ao primeiro, mas com relação às mulheres. Outro, se ocupando do funcionamento técnico do trabalho, o respeito por parte do público dos códigos criados pela artista.

Sobre o primeiro ponto, o tom é ainda crítico a respeito da escolha de tratamento analítico no que se refere a uma postura sociológica(Repito, a crítica vale apenas para uma reflexão sobre as formas de tratamento do tema e da problemática, pouco teria a acrescentar à produçaão artistisca, à elaboração estética.) Claro, por um lado faço o julgamento tendo em mente que o posicionamento político de mulher recobre o tom feminista da atuação. Por outro, entendo que na escolha feita um elemento importante da crítica feminina fica de lado: os efeitos de incorporação da violência masculina. Efeitos positivos e negativos: mulheres que aceitam e ou se submetem, ora reproduzindo de maneira passiva o tipo de dominação masculina(só se sente mulher se dominada físicamente, simbolicamente), ora, quando muito, de maneira ativa, tentando dominar a maneira dos homens. Se o exemplo da estudante Soraia revela um tipo de experiência de rejeição às cantadas: “ é isso mesmo que a gente escuta. É uma agressão, faz a gente até ter vergonha de ser mulher”. Outros exemplos poderiam mesmo mostrar o quanto as cantadas, não sei se as mesmas, provavelmente não, são importantes para a construção de uma ” identidade feminina”. Dou o exemplo desta doutoranda brasileira na Inglaterra que disse-me o seguinte a respeito de uma viagém que fez à Italia: “ foi ótimo ter ido lá. Os homens me desnudavam, me olhavam. Aqui (na Inglaterra) ninguém olha, ninguém dá cantada, a gente nem se sente mulher”. Assim, sem história e sem incorporação, a crítica pode produzir efeito de liberação na mulher ao se identificar com a situação de estar contra o “ser tratada como objeto” em um nível bastante explicito da reificação.Mas lá onde os mecanismos da dominação funcionam com força mais eficaz, lá dentro da mulher mesma, lá onde a mulher já não se pode ver-se mulher sem um “sentir-se dominada”, é alí a região a qual a crítica não chega. E deveria querer chegar…

O segundo ponto é ilustrativo da visão do sociólogo estando atento ao fenômeno artistico como sublimação dos elementos culturais. Com talento(do artista) significando para a sociologia, nesse sentido, o potencial de criação visto como capacidade de trabalhar os elementos codados socialmente para tranformá-los em obra de arte, ou seja, em objeto estético afetando o universo sensível do público. Sendo isso talvez o mais importante, pois, no que diz respeito a obra propriamente dita, o objeto artistico produzido, é a esse nível de reflexão que a sociologia pronucia algumas palavras sobre arte. Apesar de não ter elementos empíricos para responder a questão, pergunto: como e por que os códigos criados por Valéria (em específico a delimitação do espaço) deram certo? Suporia com a sociologia das socializações o seguinte: do lado de Valéria, as socializações diversas que viveu deram a dançarina capacidade de identificar, pelo aprendizado decorrido, a maneira com a qual um público “menos controlado”(fora de um teatro) tende a se comportar, as estratégias usadas por ela funcionam, pois, porque os códigos emplementados estão em acordo com a capacidade do público de renconhecer a codificação; do lado do público, existe na ‘socialização de rua’(todos os aprendizados do estar na rua aprendidos na mesma), a pesar da pouca cultura propriamente teatral dos transeuntes, uma socialização dramática, no sentido de haver nas ruas encenações diárias codificando os ambientes de diferentes formas. Valéria entendendo isso cria certos códigos levando em conta esses aprendizados expontâneos, usando-os e transformado-os em fonte de interesse para os passantes. Sim: ponto para Val.

Jampa.

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Sobre minha opinião a respeito das ciências humanas (mais as sociais): o caso da sociologia

Vou partir da frase de Mariana como base de reflexão. Ela diz : “as ciências humanas sofrem pela falta de rigor metodológico, por estar mais imanada à subjetividade…perto daquilo que fica mais claro de ser comprovado racionalmente, de ser compartilhado por fórmulas mais universlizantes, as ciências duras ganham mais credibilidade que suas irmãs mais flexíveis.”

Eu discordo em parte do dito. Mais pela formulação abstrata (dentro das ciências humanas se encontram disciplinas de natureza muito distintas) e pelo prejulgamento de credibilidade cientifica ganha com fómulas universalizantes e provas racionais (como se nas humanidades não houvesse esforço racional de explicação e ou compreensão dos fenômenos) do que pelo conteúdo do enunciado. Ou seja, eu acho que seja inegável o fato das ciências duras terem mais credibilidade do que as ciências moles, se credibilidade se limita e aceitamos que ela deve se limitar aos efeitos de “dureza” produzidos pela experimentação(no sentido dado por K.Popper). Porém, creio que ficar nesse nível do debate espistemológico, nível demasiadamente teórico, satisfaz pouco a sede de entender a respeito da questão de saber que tipo de conhecimento uma ciência humana pode produzir e tem produzido. Além disso, como já dito, as ciências humanas possuiem subclassificações como as de “ciências sociais ou da sociedade” e “ciências históricas”, por exemplo. E cada uma dessas subdivisões agrega disciplinas tão próximas umas das outras pelo método e tipo de construção de objetos como é, por exemplo, no caso das ciências sociais, a sociologia da antropologia e da história, quanto distantes nos mesmos aspectos, come a economia é da sociologia e da antropologia. O ponto de inflexão do debate vem do fato significativo de que devemos, antes de prejulgar a falta de cientificidade e objetividade de qualquer ciência, permanecer no campo propiamente empirico e vislumbrar o tipo de conhecimento produzido por cada ciência.

O caso da sociologia

Vou me ater ao exemplo da sociologia. Ciência como as outras ou não? Se sim, em que sentido? Alguns amigos talvez achem estranha minha posição. Desde de início do curso de sociologia, ao bem da verdade, hoje sei, sem nenhuma condição de dizer em que consistia o trabalho de um sociólogo, julgava fundamental ter uma base filosófica sólida para dar suporte às questões de cunho sociológico.(Antes achava fundamental, hoje penso ser apenas importante). Mas o que ignorava na época era justamente a natureza das diferenças existentes entre tais disciplinas pelo simples fato de fazer amalgma delas numa idéia abstrata de trabalho intelectual: se tonar sociólogo é ler mais livros de sociologia, se tonar filósofo é ler mais livros de filosofia. Simples e eficaz para quem não é nem sociológo nem filosofo, mas se achava já um pouco os dois. Para mim, naquela época em pleno trabalho de aculturação com relação às praticas acadêmicas, a leitura era o ato que unia os universos distintos das especificidades disciplinares. E o que mudou? Nada de minhas impressões iniciais tornou-se totalmente falso. Claro que a leitura é uma prática comum a qualquer atividade intelectual, acho que dizer isso chega a ser tautológico. Porém, e podem discordar se for o caso, ler é uma prática que, no caso de disciplinas as quais se querem científicas(e empiricas), tem significado especifico (de instrumentalização, de utilização) podendo passar de pura análise de texto ( com tecnicas convensionais de compreensão) à leitura de dados estatíticos (que significa esforço de contrôle no que diz respeito a transposição de tipos de liguagem, etc).

Por que digo tudo isso e o que isso tem a ver como a questão do nível de dureza das ciências sociais?

O fato é que acho que as ciências sociais em geral são ciências em sentido especifico naquilo que produzem de conhecimento objetivo e rigoroso nos limites impostos pelo carater histórico das informações no qual tais disciplinas repousam e retiram significado. A sociologia só ganha em sentido e em especificidade naquilo que ela é propriamente histórica (no sentido de Weber), ou seja: quando ela adentra nas singularidades e particularidades, quando ela evoca o método comparativo como próprio a produção do entendimento sociológico.

E a sociologia, onde está com relação as ciências duras?

Ao meu entender a sociologia é uma ciência hibrida em sentido especifico. Ela não entra no espaço de probação popperiano( espaço no qual numa experimentação científica devemos satisfazer as condições ideais de prova: tudo deve se dar de maneira igual em qualquer contexto isolado de mesma maneira). Em sociologia não existe experimentação stricto senso.

Mas por que continuar chamando de ciência uma disciplina que não satisfaz tais critérios ditos de cientificidade?

De minha parte é uma questão de postura quase política. Existe o risco forte e presente nas ciências humanas do relaxamento, do desleixo, da selvageria interpretativa e hermeneutica, do tudo é válido em matéria de ciências humanas. A palavra ciência vem a lembrar a importância do rigor, da produção se não da prova, da argumentação bem fundamentada(empiricamente, metodológicamente, teóricamente).

Por hoje é isso.

Jampa

Blogue, Visita de Ton e coisas da vida

O tempo é de resignar. Minha teimosia era a de querer tratar de maneira insuportável das coisas simples. Fui teimoso para não ser reconhecido como blogueiro fajuto, daqueles que aceitam a facilidade de agradar e querer ser amado pelo resultado da carícia textual produzida. A pequena história do meu blogue é uma marca do esforço gorgico para reter a separação entre sedução e argumentação, retórica e ciência, doxa e episteme, derme e epiderme. Vontade tôla e vã de invadir o mundo alheio, de tonar o espaço cibernético um pouco menos repetitivo, de contrariar os “não dá para ser de outra forma” ou “é isso mesmo, é assim mesmo, tinha de ser assim”, e, a contragosto, ir infligindo às normas ditadas pelos “esse espaço não é para isso”, “niguém suporta ler esse tipo de coisa”, “você acha que as pessoas podem entender palavras dificeis”, “isso é muito intelectual”, etc.

A maioria dos “posts” foram escritos de maneira livre. Mantinha como rigor apenas o esforço de reflexão a respeito do que se ia dizendo. Nos textos mais chegados à crônica, a idéia implícita era de situar e reorganizar fragmentos de minha memória para uma confrontação com o universo mais literário, ou seja, quis dar forma ao conteúdo mal estruturado de minas recordações. Mas a consciência dos meus limites objetivos no lidar com a lingua portuguesa foram minando a boa vontade e o espírito de partilha presentes no intento. A lição fica: quem desse mundo não espera apenas agradar, aprende que, pelo rumo das coisas, a quem ele não agrada, agride.

***

A vinda de Ton à Nancy foi muito agradável. Encontrar um amigo o qual a muito não via dá-me sempre a boa impressão de ver no velho algo novo. Não que ele parecesse envenlhecido, mas nossa amizade começa a fazer seus decênios. E com isso, a ausência acompanhada da distância move nosso olhar na busca de confrontar o presente à lembrança, à memória. O resultado disso é a sensação de ver no mesmo o outro, um claro renovar da amizade.

Engraçado foi perceber os pequenos atritos devidos às formações acadêmicas disntintas. Um Ton físico e um Jampa sociólogo. Dois maristados formatados por caminhos rigorosamente diferentes. Deus nos acuda para as incompreensões mutuas. Leituras de mundo dissonantes, ligadas entre si pelo fio tênue da camaradagem e do respeito. ” Preste atenção querid[os], o mundo é um muinho”, tinha em mente quando conversavamos, maneira de me conformar. Pois, bom ou mau sociólogo que eu seja, sei bem da posição de “inferioridade acadêmica” da minha disciplina em relação à dele. Expeterza sociológica ou não, o certo era a alegria de vê-lo aplicado ao trabalho científico, sonhando com pés no chão com a carreira que tão bem começou.

Notas

Cronograma do futuro próximo (Ou: de como funciona a cabeça de Jampa)

Amanhã (Sabado de carnaval no Brasil): das 10:00 hs às 12:00 hs, redação de um texto. A tarde, leituras de O Pão. Finalizar leitura de Literatura e Cordialidade. A noite, dependendo do cansaço, traduzir para o francês as passagens de Raizes do Brasil a serem aproveitadas dentro da dinâmica da argumentação visada para análise sociológica de O pão.

Questões a não perder de vista:

Faz sentido falar de cordialidade dentro da pratica dos “padeiros”? Se sim, em qual medida ela (a cordialidade) pode servir de auxilio para uma compreensão mais precisa do processo configuração do “campo literário” existente dentro do campo intelectual ?

Pistas: levar em consideração a cordialidade como espécie de “ethos de classe”, ou seja, como visão de mundo relativamente homogênia causada por uma vivência em comum, por uma socialização vivida nos mesmos moldes (no sentido de consonância dos “problemas de uma geração”, dos “livros incontunáveis”, etc.), é, se estou no bom caminho, tornar mais clara as estratégias dos agentes no que diz respeito às influências de suas motivações na produção da atividade intelectual e literária. Pensar nos efeitos do tipo de formação que boa parte de nossa intelectualidade teve(Não esquecer Antônio Cândido na Formação, e em Literatura e Sociedade: formação que parece uma deformação, mas a deformação-formação vista em comparação a uma formação vista como mais autentica- termina por informar da formação deformada.)

Risco: Reproduzir o discurso normativo segundo o qual teríamos no Brasil uma forma de modernidade incompleta ou a completar, tendo como base uma modernidade autêntica: a da Europa.

Contra-agurmento do risco: Levar em consideração uma tal tipologia perde o seu carater puramente normativo se a utilização do conceito de cordialidade guardar seu carater heurístico e se articular bem, como espécie de habitus intelectual existente, à construção das modalidades de configuração do espaço social analisado.

Questão a responder: em que a cordialidade ajuda a restituir com mais precisão as modalidades do campo intelectual?

Vem pessoal, vem moçada, carnaval começa na frente do computador… As vezes de madrugada!