Crônica, sociologia e violência: importância do discurso e discurso de importância

Planinho: 1- Comentando Júlio; 2 Comentando Cyrille. 3- Respondendo João 4- Violência

1-Acho importante debater a questão de Júlio por várias razões, vou tentar tocar em algumas delas.

a- Apesar de concordar com a opinião segundo a qual na resposta dada por Cavalcanti ele tenta “reduzir a responsabilidade de expor seus pensamentos publicamente”, acredito que o debate sobre o “valor e a importância da crônica como gênero textual” deve ser, ele também, contextualizado.
b- Porque no final das contas é tratando da posição social de quem fala que o debate toma corpo: estamos falando de quem diz o que e (de) onde… E por qual estilo?

O primeiro e o segundo pontos são inseparáveis. Eis um elemento de base para se começar um bom debate. De como é preciso se saber “quem fala” e “de onde fala” para se pensar sobre o “peso das palavras e dos estilos de escrita”. Será que é por isso que Júlio indica o fato dele ser advogado ter sido “Ministro da Justiça e presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional”? Existe uma instituição atrás de uma palavra? Mais. Não creio, como Júlio, que a crônica seja um “gênero textual dotado de tanta importância e repercussão quanto qualquer outro.” Ele pode até produzir efeitos de importância e repercussão, aqui e alí, como os demais gêneros, mas seria preciso dizer mais sobre a “natureza” dos estilos de escrita para nivelá-los assim, sem análise prévia. Também os estilos, os gêneros, são marcados socialmente por valores distintivos e distintos e ocupam posições mais ou menos importantes na hierarquia social dos gostos. Claro, Júlio tem razão ao falar da responsabilidade de um homem escrevendo em um jornal de grande circulação como é o JC. Mas o buraco da questão é mais embaixo, ele é mais escorregadio e menos simétrico. E é por isso que é tão mais intrigante e verdadeiro encontrar o “eu social” de um advogado (ou de qualquer outro ente social) escondido numa “simples crônica” quanto os autores deste estilo de texto se deixam levar pela idéia do que imaginam ser uma crônica: estilo despretensioso onde podemos discorrer livremente sobre a vida cotidiana. Lá onde Cavalcanti lê “só uma crônica” o leitor avisado lê “verdade social implícita”. Pois num texto sociológico por exemplo, com os artificios do método entre outros, um autor pode mais facilmente enconder a verdade implícita num recôndito ainda mais imperceptível(cuidado com os sociologos!).

2-Cyrille comenta dizendo que não existe “desculpa sociológica” (excuse sociologique) ao lastimável comentário dos charutos. Repondo dizendo que comentário sociológico não desculpa, mas tenta “apenas” entender as razões pelas quais esse tipo de conduta ganha sentido (prends sens) para quem o faz. Era assim que Weber visualizava o poder compreensivo da sociologia: não se precisa ser Cesar para compreender Cesar. Com isso não quero dizer que não fui normativo em alguns pontos do meu texto, mas apenas evidenciar que o papel específico da análise não era o de fazer um julgamento personalizado do advogado em questão.

3 – João só para ter o teu perdão, devo pedir que releia o texto. Eu aceitei a crítica de Cavalcanti por educação(até quando cordialidade meu Deus!), retribuindo a cordialidade do recado dele. Mas em nenhum momento eu digo que a estátua do Pessoa fica na Baixa Pombalina. Para ser sincero, como não lembrava do nome do bairro, preferi não arriscar. Mas a frase “Fiquei a imaginar só por birra os ladrões do escritório dele indo jantar na baixa pombalina, passando pelo à Brasileira café e querendo levar a estatua do Pessoa sentado para casa” não diz que o A Brasileira fica na Baixa. (Risos!)

4- Acho importante poder discutir a questão da violência dessa maneira. Antes desse debate existiu um nesse blogue sobre a dominação masculina. Ele foi gerado pela leitura do projeto de Valéria, Objeto-Mulher. Também elemento do cotidiano cultural de Recife. Todo tipo de violência deve ser discutido.
Como o texto de Cavalcanti podemos encontrar vários todos os dias nos jornais de nosso Brasil. Como analisá-los? Como criar um debate mais ampliado a respeito desses elementos de nossa cultura de masssa? Do nosso jornalismo? Muxita me aconselha a publicar algo no JC. Mas para voltar a questão inicial, quem é Jampa e quem acha válida a leitura crítica de uma “simples crônica” despretensiosa. Jampa e crônica ocupam espaços específicos nesse mundo velho e cansado de guerra. Crítica é bem vista para rebater outro tipo de matéria. E Jampa é bom para comentário de Blogue. Claro que essas posições não são fixas, mas não me vejo mandando o texto para o JC(razões sociais?). Tentei inclusive mandar para o Ombuds, ainda bem que não responderam. Já havia me arrependido.

Jampa

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