Pan, TAM, Pan Boom! De quem é a culpa?

Final de tarde. O compromisso com o mundo de atividades mundanas se esvai com a chuva que começa a cair. Toró. Cordas d’água! Cargas de água. Aquecimento global, penso. Nós humanos, seres imundos que somos. Deu vontade de tomar banho com o molhado que vem do céu. Pororoca sem onda, piracema sem peixe. Menino pulando no asfalto espelhado de lamas. O sorriso desdentado esquecido das faltas, dos problemas políticos, das vitórias e derrotas do Pan, dos desastres de avião. Cadê o menino? Cadê? Ô menino esquecido!

Começo de noite. A toada é dos carros. O mundo idílico não pertence a nós, humanos de tipo brasileiro. A culpa é do lirismo, do nacionalismo, do Lula, do piloto, de Jampa (que quer ser menino!). Do acidente não acidental. Da tragédia não trágica. Dos pássaros que aqui gorjeiam. E dos homens que aqui “habiteiam” e dos que hão de habitar. Da História, a culpa é Dela. Fincou na terra, ficou na crosta, golpeou e solapou o fôlego dos esperançosos. Tudo já está dito. Cadê? Há mais algo a dizer? Ô menino esquecido!

Escombro de enoitecer. Concordes já não voam mais pelos ares, outros baques o desprojetaram do mundo celeste. Discordes vaiaram, concordes não voam mais, que mundo é esse? Esse deveria ser o último parágrafo de quem não tem nada pra dizer desse mundo… mas fracos como eu insistem em gorjeio. Vai, gorjeia como lá, gorjeia! Cadê? Cadê? Já esqueceu?

– Pan, Tam, Pan! Boom!

Que sórdido canto! Seria Assum Preto, cego dos olhos? Escombros de noite. Noite de chuva. Sem culpa. Sem espelho de água em lama preta. Sem nacionalismo. Sem silêncio, a toada é dos carros. Cadê o menino? Cadê o concorde? E o recorde? Sim, o jornal é o mesmo. Mais gorjeio: Pan, Tam, Pan! Boom!

Ironia ou não, no escuro do quarto, no meu colchão de classe média, deito-me ao som de Ludwig Van tocando Pan Pan Pan na televisão… Viro-me. Tento esquecer. Vai ver que a culpa é do aquecimento, do gorjeio (nunca do esquecimento). Do Gorgias de Platão! Do avião. A culpa é da culpa, lá onde tudo é mea culpa. Do reverso, da pista, mais uma vez do piloto, do menino, do cansaço, do “apagão” esotérico supra-lunar dos céus. A culpa é da Fátima Bernardes… é do superfaturamento do Pan, e dos cubanos que, apesar de povo miserável e comunista derrotado, continua na frente no quadro de medalhas…

A culpa é do cu, claramente, que é quem sempre começa a palavra culpa. E a catinga de cu, nunca acaba.

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