Dubliness…

A Dublin de Jampa Joyce começa na França. No Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, onde etretive uma espera digna do apagão Companheiro De Lula: 6 horinhas. Nele pude comtemplar em minha memoria a completa inexistência de referencias sobre a Irlanda. Olhava para um ponto perdido onde pessoas perambulavam e tentava advinhar se os irlandeses pareceriam assim ou assado. Buscava referencias. Lembrei-me de Cristopher, um camarada irlandês que conheci… onde mesmo? Na França… Definitivamente, tudo dessa ilhota me lembra a… a França. Ate Saint Patrick’s day eu festejei como La fête de la Saint Patrick quoi! Isso vai mudar, pensei.
Chegada ao Aeroporto de Dublin. 1 hora de interrogatorio no serviço de imigração.
-O Senhor faz o que da vida?
– Agora, aqui na Irlanda? Bem, eu vim de férias rever uns amigos franceses que moram e trabalham aqui na Irlanda. Mas de profissão sou sociologo, estou fazendo um doutorado no Brasil. (Tudo isso naquele meu inglês macarrônico… sem comentàrios!).
-Você fala francês? (O interrogatorio é todo feito em tom de sarcasmo e, na minha situação de dependência, minhas respostas eram dadas em uma tonalidade digna de imigrantes politicos que, correndo risco de vida ao voltarem aos seus lugares de origem, imploram por tolerancia das autoridades de “acolhimento”).
– Falo.
-Como aprendeu?
– Morei 6 anos na França. (Pensei, e eu que vim pensando em esquecer minha “Irlanda afrancesada”!).
– Se você é brasileiro, como ficou là por tanto tempo?
– Além de ter estudado là, fui casado com uma francesa.
– Quem você veio ver aqui? Você tem um endereço, um telefone? (Passo para ele o papel onde havia anotado o endereço e o telefone em Dublin de onde eu ficaria)…
Não vou explicitar até onde a Santa Inquisição foi para averiguar supostos imigrantes como eu. As suas perguntas esdruxulas, muitas delas invadindo um espaço de foro intimo em qualquer cultura, são para mim prova cabal da eterna e violenta relação de poder entre fortes e fracos.
Do avião vi, depois de sobrevoar a Inglaterra, uma Irlanda coberta de nuvens densas. Ainda não visitei Belfast, onde um muro de concreto ainda separa catolicos de protestantes. Lembro que foi indo para Irlanda que uma familia de africanos morreu dentro de um contener de navio. Esse muro invisivel, simbolica, brutal e abruptamente inscrito no modelo inquisitorial do serviço de imigração, é para mim a marca desse outro muro deles, mais visivel.
Minha mala não chegou. Mas a acolhida foi excelente. As pessoas em Dublin parecem ser no geral simpaticas, acolhedoras e prestativas. A impressão tensa inicial se desfez. Vou tomar uma Guinnes e esperar por minha bagagem… Aproveitar as férias, não mais para equecer a França que dà referencia às minhas impressoes sobre a Irlanda. Até porque o teclado no qual escrevo é francês e a ausência de sinais não me deixaria esquecer dessa verdade: Jampa Joyce definitivamente tem um sotaque de imigrante brasilo-franco-estupido-inglês!

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