Vigilância Sanitária

Estava relendo umas coisas sobre metodologia da pesquisa na sociologia para reavivar a memória com alguns procedimentos quando me deparei com a seguinte frase:

“ A educação do pensamento científico ganharia em explicitar essa vigilância da vigilância que é a nítida consciência da aplicação rigorosa de um método. No caso, o método bem designado desempenha o papel de um superego bem psicanalisado no sentido em que os erros aparecem em uma atmosfera serena; além de não serem dolorosos, são sobretudo educativos.” (G. Bachelard… em algum lugar do Racionalismo Aplicado.Meus itálicos).

Eu já havia lido isso antes. Meu projeto de tese foi formulado em cima dessa postura da “vigilância da vigilância” por acreditar que em sociologia, mais do que em outras disciplinas, os métodos escolhidos informam sobre o tipo de conhecimento a ser elaborado. E que os erros de procedimento, que só podem ser julgados se comparados a outros, são os motores do rigor e da qualidade do trabalho propriamente analítico. Dessa forma historicizei meu projeto sendo sua própria feitura uma genealogia dos procedimentos e das escolhas adotadas para construção de minha problemática de estudo e objeto. Resultado: fui questionado a respeito da forma (que não trazia a clareza –respostas- de como as tarefas iriam ser realizadas) e do conteúdo (ora eu tinha dois objetos de estudo e não um, ora eu não tinha nemnhum objeto de estudo nítido). Além disso ouvi uma piada a respeito da vigilância sanitária, que não levei a sério porque imagino que algumas posturas intelectuais podem realmente servir de profilaxia no domínio da produção de idéias.

Mas o que me veio a mente ao reler isso é que nunca havia dado a devida importância ao paralelo feito por Bacherlard entre o processo de produção do conhecimento e a psicanálise. “Erros aparecidos numa atsmosfera serena” ecoam aos meus ouvidos como um pedido, uma súplica por um contexto de produção que se assemelhe mais com a “situação de análise” de uma relação psicanalítica. Lugar onde na “suspensão das dores” encontraríamos forças para “compreendermos melhor a nós mesmos” porque o confrotar-se consigo mesmo, nos termos novos da relação analítica, impõe limites ao superego, numa vigilância da vigilância pacificadora do Eu.

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