Questões sobre a pedagogia do oprimido: da dor de crianças

Minha filha tem hoje dois anos e nove meses e está aprendendo a falar com desenvoltura. Quando diz algo errado, corrijo. A mãe fala com ela em francês. E o mesmo ocorre quando a pixota fala algo errado: ela é corrigida pela mãe, que é professora de inglês e francês.

Avalio que ainda enquanto criança ela começa a integrar de maneira prática e gradual, e sem perceber, aquilo que minha avó dizia para mim numa formulação abstrata: “estude para ser alguém quando crescer meu filho”. Certo vovó, respondia dentro de mim. Mas o que é estudar? O que é ser alguém na vida?

Entendam, minhas perguntas não eram nem são raivosas. Sei: quem aprendeu aos trancos e barrancos muitas vezes não sabe que se pode aprender de outras maneiras na escola que não pelo dolorido reconhecimento contínuo do fracasso. Que foi o dela(minha avó), que foi o meu. A cuiosidade estimulada, uma casa cheia de livros e de pais lendo para si e para a criança, o cuidado com as explicações, o respeitar admirado das questões que um penqueno se coloca a respeito do mundo novo com o qual dia após dia, mês a mês, ele começa a se “familiarizar” e, em conseqüência disso, a se acostumar, para bem e para mal -, tudo isso é concretização de valores da escola em seu sentido pleno sendo feita em casa.

Ok Jampa, sabemos, você é um pai que pensa na educação de sua filha de um ponto de vista racional e também humano. E o que mais?

Diante de certas coisas próprias às realidades recifense e brasileira me pergunto: como um pai deve se comportar para manter sádia a sua relação com o universo da curiosidade infantil de sua filha e a realide absurda que, como não poderia deixar de ser, também a cerca e faz parte do horizonte cultural onde ela evolui e cresce?

Dentro do carro com sua mãe, a pixota observa uma agitação não corriqueira. Uma outra criança, um pouco mais velha, com 12 ou 13 anos, fala coisas agressivas. A mãe também gesticula, finge procurar algo. – Mamãe o que é que ele disse pra você? “Nada filha, ele me ameaçou.”

Ameaça. Acho que essa palavra ela ainda não tinha ouvido. Que significado ela atribuiu pra ela?

O menino de 12 ou 13 havia dito: “abre a janela se não mato a menina, corto ela toda”. Sem saída, o sinal fechado, pessoas olhando impassíveis, a mãe responde: “se tocar nela, eu te mato.”

Ameça. Uma palavra. Que campo semântico ela abre? Medo. Violência. Será que preciso explicar o que são essas coisas para uma criança de dois anos e meio? Não. Ela não vai entender. Matar. O que é matar papai, se ela me pergunta isso, o que devo responder? Numa única situação, num espaço de alguns segundos, toda uma pedagogia do contidiano recifense. Papai, o que é ameaça? Papai, o que é matar? Por que mamãe ficou com medo do que o menino disse? É mais fácil dizer para ela não ficar com medo do monstro do Scooby Doo. E ai fico pensando no como ela pensa isso tudo e querendo dizer para ela mas sem poder, resmungo ensimesmado: “ ô filha, não tenha medo, os monstros do Scooby Doo são de mentirinha…” A garganta seca, a mão suando. Será que saberia explicar que o menino que gritava e dava medo estava ali e era tão real?

atualização: Peço desculpas por esse texto que está muito mal escrito. Mas não vou corrigí-lo, porque foi fruto de meus nervos.
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