À Santa Morte de um bisbo: louvemos

Hoje pedi excomunhão por e-mail ( Via: Lula). Coisas da nova era. Foi minha primeira

vez. E a primeira vez a gente nunca esquece, não é seu padre?

Ora bolas, não creio em Deus e nutro certo desgosto pela Igreja Católica. Mas tendo a tentar ser tolerante com os principios defendidos pela Igreja. Eu tento, juro.

O contraponto do meu ateismo é meu respeito laico pela crença católica de meus familiares. Sempre transijo : preciso conviver pacificamente com dizeres racistas, com posturas anacrônicas, homofobicas, preconceituosas (que tem sua lógica na razão conservadora da Igreja) e não destruir laços e vínculos afetivos importantes para mim. Eis minha postura quando penso no que vivi com meus avós, por exemplo. Mas não, dessa vez não dá para respeitar. E me digo: ainda bem que meus avós já morreram e esse conflito vai ser evitado, que outro Deus os tenha.

O problema é que tenho aquela gostosa descrença provinda de realmente não saber, sabem? Então é fácil. Formado em sociologia, vejo-me descontente com a arrogancia insuperável da metafísica, tenho horror das palavrar fixadoras de essências improvadas e, provavelmente, improvaveis. E apesar de ainda escorregar muito pela fé escorregadia e teorreica das palavras começadas com maiusculas, eu sempre me corrijo quando pego-me falando em “realidades fixas” (na verdade creio que elas sejam mais “fixadas do que fixas”) , porque entendo que entre as palavras e as coisas existe, sempre, uma “política do entendimento”, uma “vontade de saber” que nos impele a se ater, também, sobre esse “aspecto de política” onde encontramos nossas mascaras , esconderijos recalcados de quem procura as “supostas verdades escondidas no mundo”.E quem procura e reconhece essas mascaras ainda tá bem, mas quem já tem respostas e ainda esconde que quer esconder certos interesses… ai meu Deus, que prezo tanto por Sua inexistência, tende piedade de Nós.

Entendi mais sobre a “lógica” da “defesa da vida” quando li o e-mail endereçado a nós, povo brasileiro, por um mensageiro-impiedoso-arauto-da-pseudo-inteligência-juridico-religiosa (Via: Idelber) do Deus do Bisbo Endiabrado Dom José do Cão Infernal.

Deus escrevera através Dele. E escrevera em letra Times New Roman. Uma mensagem muito bonita, onde falava que a justiça era coisa invertida. Aborto, sejamos justos, é um crime. Estupro de uma criança, ora bolas, é pecado pequeno. Mandou foto. Pense num Homem Bonito, Barbudo, Inteligente. Com aquela cara dele eu me disse orgulhoso: Homem, Adulto, Macho, sempre no comando!

Sem medo do eco, oremos: Morte Santa ao nosso bispo que defende com tanto vigor a morte santa para os outros

Ps: O “Vinde a mim as crianças” mais conhecido dos padres, sabemos, é bem outro… o melodrama do aborto , o apelo ao feto morto, tem muito de hipocrisia.

4 pensamentos sobre “À Santa Morte de um bisbo: louvemos

  1. pelo menos agora sabemos porque os padres comem meninos! porque não engravidam, então dessa forma ninguém vai pro inferno! :Pmas vc tem que admirar o humanismo do bispo, faria orgulhoso o saudoso Dom Hélder, que é capaz de defender o elo fraco, o pobre estrupador – mera vítima da sociedade, alvo fácil da ira dos seculares! que bravura, que coragem desse bispo!

  2. Esse episódio do bisbo defendendo o estrupador e excomungando médicos, que apenas faziam seu trabalho é absolutamente surreal e mostram como a Igreja Católica estão absolutamente fora da realidade. E são momentos como esses que formalizam, digamos assim, essa fronteira entre o credo medieval de uma certa elite eclesiática e o resto do mundo. Você nunca foi um “comungado” (a não ser que como burocratas do Direito Canônico consideremos que seu batismo documenta seu pertencimento a fé Católica), mas fez questão de se excomungar. O ato em si não realiza nenhuma separação, pois ela já existia de fato. Serve apenas para formalizar essa distância, já existente antes. Mas posições tão surreais como a do Bispo exigem uma tomada de posição clara. Abraço

  3. Sou ateu, graças a deus! e apesar de pagao, também pedi minha excomunhao. concordo com o que foi aqui dito, mas nao posso evitar dizer que me parece que o tema nos escapa das maos. É certo que a igreja católica é tudo isto e muito mais, descompassada, despiedada, anacrônica, machista… pero… o centro da questao é um estupro. católico, evangélico, ou judaico. a tragédia aqui é esta violência, sexista, demolidora, este fato recorrente da nossa realidade. a NOTÍCIA é a excomunhao. com isto nao me ocorre que este ato simbólico nao seja violento, muito pelo contrário. Apenas queria chamar a atençao ao centro, que às vezes sai do foco. abraço!

  4. discurso anacrônicos pululam por toda parte, seja de que credo for… a Igreja Católica chama mais atenção pelo fato de ser ela a instituição mais perene da Era Cristã.. o que ingenuamente eu me permito perguntar é se o bispo realmente acredita na posição que tomou ou não passa apenas de velha guerra de poder, desta vez pendente contra a velha Roma, que levou Galileu a abjurar e Giordano Bruno a fogueira..

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