Daniel Coelho: nota sobre seu mérito político

É preciso reconhecer algo a respeito da cena política pernambucana: a luta solitária de Daniel Coelho para continuar sendo oposição merece nota de muito respeito. Na minha opinião, não resta dúvida:  Daniel Coleho é o elemento mais novo surgido na politica de Pernambuco. E isso não é pouco, para quem tanto ouviu falar em renovação de meia boca. A voz isolada dele é uma aguda alfinetada: num estado de conformismo e coronelismo, onde todos deputados querem ser do governo, o cara luta para firmar posição. Tiro meu chapéu.

 O problema que o deputado tem enfrentado é revelador de um estado de coisas: os partidos políticos em pernambuco tornam-se partidos de verdade quando se trata de proteger, parece piada, a flexibilidade vexatória de seu adesismo governista. A reação do PV   é absurda. Nós que acompanhamos a campanha eleitoral de 2010, e vimos o comportamento de Daniel Coelho, percebemos a coerência de seus posiconamentos. É um partido que se volta contra sua própria dignidade. Sou filiado a outro partido, opino aqui sobre a questão da tomada de posição política, elemento central da prática do metier de político. Quando meus amigos me perguntavam o que é que eu tinha contra Marina Silva, eu baixava a cabeça, meio triste, porque tinha respeito pela candidata, e silenciava pensando nesse tipo de coisas. O jovem deputado vem sofrendo por querer ser um político de posição,  algo que merece muito mérito num contexto político como o nosso.  Resta saber se terá força nas pernas para se manter de pé com a dignidade que vem mostrando até aqui. Do lado de cá, pensando numa frase geralmente atribuída a Voltaire, diria que discordo basicamente das posições políticas dele, mas lutaria até o fim pelo direito dele de poder defendê-las. Encontro aí razão suficiente para minha nota.

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3 pensamentos sobre “Daniel Coelho: nota sobre seu mérito político

    • Grande Leo! Não vejo problemas dos mandatos pertecerem aos partidos. Pelo contrário, sempre achei que o personalismo era uma mazela de nossa tradição na política. O problema está em os partidos pertecerem a governos. A luta do Daniel Coelho me parece válida por expor o mérito da questão. Sou de esquerda, apoio a coalizão hegemônica, mas esse adesismo é um mal de nossa política que deve ser combatido, ele enfraquece a democracia, empobrece o cenário político que fica monolítico. Alguns chamarão isso de idealismo libertário, outros de igenuidade. Eu acredito que a política faz mais sentido para mim dessa forma.

  1. Pingback: Notas sobre um olhar sociológico a respeito do ato de votar em Pernambuco… | Blogue do Jampa

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