Pensando o caso da notícia da morte do jovem vítima de preconceito homofóbico

Sei que corro forte risco ao escrever essa nota. Mas não resisti. Escrevo porque sei que pode existir preconceito sem ódio. E isso faz alguma diferença. Digo isso sendo uma pessoa que é totalmente a favor da criminalização da homofobia. Existe já uma comoção em torno da morte do jovem vítima de preconceito, porque seus pais formam um casal gay. Tive o cuidado de ler e comparar as matérias que trataram do assunto e acho muito importante lidar com as informações da maneira mais responsável possível, porque a acusação é grave e as notícias não são muito bem dadas. Estranhei o fato da notícia da morte ( http://migre.me/oXHZo) ter sido dada sem palavra “espacamamento”, que aparecia na primeira situação (http://migre.me/oXHZo). Vocês podem me dizer, mas com a morte do garoto, isso não importa. Entre agressão e espancamento, não há diferenças. Olha, quando li a primeira matéria, a imagem que me veio à mente foi a do ódio de 5 outros adolescentes que batiam compulsivamente num garoto só porque ele era filho de um casal gay. Ao que indica a informação médica “exames feitos no garoto também constataram que ele teve hemorragia, mas não apresentava sinais externos de violência física”, insinua que não houve espancamento. Eu teria cautela em se contrapor a um ódio que talvez não tenha existido, porque isso, a meu ver, é terreno movediço para que ele cresça. Dois dos 5 meninos foram pedir desculpas, informação que também é contraditória com a tese do ódio, geralmente perpetrado por pessoas já insensíveis a esse tipo de gesto.

Alguém pode argumentar que o preconceito é a cama do ódio. Mas não ver as nuances entre diferentes casos, é também reproduzir preconceito para deter aquele que já existe. Imagino, por exemplo, que exista uma dor diferente que é de imaginar que seu filho foi morto espancado pelo ódio, e uma visão mais amena, ver que ele foi vítima de uma agressão na qual seu corpo foi de alguma forma preservado, não negado pela força da violência física.

Em todos os casos, é preciso justiça e apoio à família. Mas com o cuidado com o que se diz e como se diz, se corre menos risco de amplificar algo pelo medo que temos dessa violência ser generalizada. É preciso ter cuidado porque também existe luta contra o preconceito com ódio, e as vezes, na certezas de estamos do lado certo, esquecemos disso.

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