Por que o progresso não traz a ordem na blogosfera: Idelber x Nassif

 Não é sem interesse começar esse texto resgatando a  importância histórica das polêmicas em nosso país. A cultura brasileira é movida por elas. Basta lembrar das clássicas: Nabuco X Alencar, Machado de Assis X Sylvio Romero e  Roberto Schwarz X Haroldo de Campos, algumas das mais célebres no campo da intelectualidade. Ao contrário do que sugere a turma cordial do deixa-disso,  que também faz parte de nossa cultura, as polêmicas podem ser ricas por explicitar os  critérios de ação e juízo de um campo intelectual. É esse o objetivo de se analisar o caso da polêmcia Idelber X Nassif, mostrando diferenciações dentro de um campo que se pretendia unificado (ala dita progressista da blogosfera). Daí a acusação, da turma do “deixa-disso”, que Idelber estaria sendo “divisionista”. O que está por trás dessa suposição e quais as implicações para um debate sereno sobre a atividade crítica na internet?

Enfatizo que minha intenção principal não é reconstruir a polêmica entre Idelber e Nassif, até porque isso já foi feito até demais. Nem é questão aqui tomar partido entre dois dos blogueiros mais famosos da blogosfera brasileira, ou simplesmente, da blogoseira, como dizia o saudoso Hermenauta. Acho, porém, que pelo nível da contenda, não vale recusar o momento e apenas tomar partido. Por exemplo, eu acho que o Idelber tem razão : o Nassif pisou na bola  quando tentava reparar o erro contido na expressão de seu machismo. Eu penso isso. Penso também, contudo, que isso é pouco. É preciso colocar o dedo na ferida com força. Por isso quero, dentro dos limites cabíveis, avaliar o que pode estar por trás das recentes acusações mutuas entre os dois e que geraram posts interessantemente violentos, indicando algo sobre o que está realmente em jogo nas diferenças entre os dois estilos de blogagem e suas possibilidades no exercício da crítica internética. A saber, a horizotalidade ou a verticalidade (hieraquização) na relação com a produção de opinião e a repercusão de informações na internet. Machistas todos somos num momento ou em outro quando baixamos a guarda. E merecemos ouvir as críticas cabíveis quando não percebemos nosso despropósito. Na polêmica em questão isso tudo aconteceu… Mas por quais razões reais?

Por que não fazer o exercício, como fazia Freud, de nos dar o direito de especular um pouco mais. E se a reação ao machismo e a reação à reação nos diz algo mais sobre o espaço de disputa no interior da esquerda blogueira? Será que, como aliados, queremos ir além e fazer a ferida sangrar?

A questão que dói, é a que implusionou o Nassif a uma retratação pelo machismo por ele operado. Talvez isso não seja, porém, o que mais dói em nós leitores de blogues. O reconhecimento do erro levou Nassif a expor e-mails pessoais colocando em questão as razões pelas quais outro blogueiro querido, o Idelber, teria sido injusto e desleal com ele, em outro momento. Com isso saia do foco a questão do machismo, e o caso levava duas pessoas reputadas e respeitadas na blogoseira a se desrespeitarem daquela forma. Que fique claro, no debate a respeito do termo “feminazi”, foi uma goleada atleticana.

Digo isso mesmo não querendo tomar partido das partes, nem ser o foco do  meu texto a reconstrução da contenda.  É preciso dar conta, porém, de alguns elementos de contexto para enquadrar os elementos da disputa aqui retidos para análise. Isso porque eles não são os mesmos do debate gerado pelo termo “feminazi”.

Resumo: tudo começara, aparentemente, no blogue do Nassif. Um certo dia um comentarista, chamado André, publicou comentário sobre o feminismo associando-o ao radicalismo de algumas de suas integrantes ao termo “feminazi” o que gerou uma reação imediata e um bate-boca pouco cordial entre André e algumas militantes feministas na caixa de mensagens do blgue do Nassif. Bem, a coisa ganhou ares maiores quando o comentário ganhou cifra de post… Ora, algumas feministas, com razão, disseram: “o que era comentário ganhou o aval do Nassif, que concorda com o uso do termo em questão”.  À reação virulenta das feministas, Nassif respondeu com ironia e desdem no Twitter (ver aqui). A polêmica já estava feita quando Idelber, com razão, toma partido das feministas, o que causa certo embaraço a Nassif, que ao perceber o desgaste e o erro, coloca em relevo, já na sua retratação, as supostas más intensões de Idelber, que, mentiroso, estaria visando pessoalmente o próprio Nassif.

Na minha opinião, como já disse, o Nassif saiu perdendo no debate, mas isso não é o que mais importa para blogosfera.

Não por acaso, creio eu, a querela gerou  textos que tentam re-afirmar, digamos assim, os critérios de excelência no exercício da blogagem entre os dois blogueiros. O do Idelber, foi esse aqui. O do Nassif, esse outro, já linkado mais acima, mas me refiro sobretudo a parte intitulada “Acadêmicos na blogosfera”. Aliados num espectro político mais amplo à esquerda,  suas  diferenças eclodiram com mais força num momento em que a oposição parece ter perdido as pernas da credibilidade, fazendo com que a demarcação das especificidades militantes de cada um, desse margem ao espaço de disputa conflitiva, um verdadeiro desvelamento de um conflito silencioso que vinha sendo travado há algum tempo, mas de maneira cifrada, acirrando a vaidade de cada um. Mas o que fica de interessante dessa batalha de egos?

O que tento evidenciar aqui é que para além do machismo, e apesar de existir o mito segundo o qual na internet há espaço para todos, o que se revela através da querela entre os dois famosos blogueiros de esquerda, é uma luta pela legitimação de práticas blogueiras específicas , o que indica um esforço de delimitação do espaço simbólico de atuação política das partes. O esforço de classificação contido nas idetificações mutuas como “blogue de esquerda”, “blogue progressista”, “jornalista-blogueiro”, “blogueiro acadêmico”, “blogueiro-histórico” etc. ,  são marcas latentes do que está em jogo nessa disputa.

De um lado Nassif, que tenta fazer a delimitação da seguinte forma:

“Ao contrário dos blogueiros intelectuais, os jornalistas não se pretendem donos de blogs autorais. Nosso papel foi encarar as brigas pesadas, abrir janelas de visibilidade para os novos protagonistas que apareciam, fazendo jornalismo. Foram essas janelas que permitiram o aparecimento de novos personagens enriquecendo a mitologia da blogosfera, mas tirando o exclusivismo dos antigos donos das cátedras.”

Dessa forma, o Nassif entra na luta depois de situar à sua maneira a história da blogosfera, posicionando o seu papel e falando da limitação dos blogues autorais. Qual a maior diferença entre ele e o Idelber? O Nassif diz:

“Alguns acadêmicos estavam muito atarefados para participar dessas guerras. Acordaram de uma longa hibernação no dia seguinte ao do fim da guerra e constataram que a blogosfera tinha se tornado grande demais, diversificada demais, para comportar donos, gurus. Ganhou dimensão política, especialmente após a coletiva de Lula aos blogueiros que se destacaram na grande guerra. Viram seu mundo invadido por uma nova fauna, diversificada e que ganha visibilidade imediata graças à grande rede informal tecida no período das grandes batalhas.”

Nassif insinua que alguns blogueiros acadêmicos não entenderam o papel e o funcionamento de um blogue como o dele, que, respeitando mais a verticalização da informação e das opiniões, publica comentários dos leitores, dando visibilidade a ideias divergentes. O que faz sentido, quando acompanhamos o debate sobre o uso do termo “feminazi” pelo André no blogue do Nassif. Ora, se pensarmos bem,  a verticalização existe no blogue do Nassif, mas ela se dá no espaço que ele mesmo concebe às opiniões contrárias, por ele levada ao estatus de post.

Dessa forma, fica ainda mais claro que na crítica ao Idelber é ao formato do blogue e aquilo que isso denuncia o que está em jogo:

“Quando um post do Cloaca é repercutido nos blogs do PHA, Azenha, Rodrigo e no meu, ajuda a blogosfera a conhecer rapidamente seu trabalho. O pioneiro da blogosfera, que se considerava quase um dono de cátedra, vê novos atores brotando a cada minuto, de forma muito mais eficiente e rápida, e entra em pânico: como é que eu fico?

Em certo sentido, repete – no ambiente da blogosfera – a mesma resistência de setores da classe média com a ascensão dos novos protagonistas: estão invadindo a minha praia! E aí precisam encontrar um culpado.”

O que Cesar  em conversa por e-mail me alertou é que Nassif sugere que, por ter parado um ano, Idelber, o pioneiro, quando volta, encontra a blogosfera completamente modificada.  “Acuado pela falta de espaço,[anlisa Cesar] Nassif acusa Idelber de resolver atacar.”  É muito interessante a luta entre os termos “novo” e “velho” estabelecida por Nassif.  Classificar é desclassificar, como já disse um célebre sociólogo.  Objetivamente Nassif é oriundo da velha mídia e está na esfera pública brasileira há bastante tempo.  Não obstante, Idelber é considerado o pioneiro na net e Nassif se considera participante da “nova blogosfera”. Esta que se criou, segundo o discurso de Nassif, quando Idelber hibernava e agora já não tem nem precisa de gurus nem donos. Subjacente a essa questão, está outra, nunca tocada por Nassif, que é a da profissionalização do blogueiro. Nassif é blogueiro por profissão. Idelber é um professor de uma universidade estadunidense. (Mais uma vez obrigado Cesar, pelo excelênte tato sociológico). Precisou parar por conta de compromissos profissionais. No entanto, Nassif interpreta essa fato como um “descompromisso” com as causas políticas, alegando que “alguns acadêmicos estavam muito atarefados para participar dessas guerras”.  O conflito é rico de significados, entre “nova”e “velha” blogosfera (quem é o novo? quem é o velho?), entre jornalistas e blogueiros não-profissionais, e que tipo de ética da blogagem sairá dessa batalha.

Percebemos além disto que o Nassif não está para brincadeiras. Mais do que isso, que os métodos que vai utilizar para desmerecer o Idelber estão próximos do que ele acusa ter sido vítima. É como se Nassif dissesse: meu blogue é mais eficiente porque dá visibilidade aos que antes faziam trabalho de formiga. Dessa forma, para diminuir o foco sobre a questão do machismo-  que ele não quer mais discutir, até porque ele sabe que está errado nesse ponto-, começa a tratar o Idelber como inimigo  intra-classe, “a classe média resistente a ascensão dos novos protagonistas”.  O Nassif nesse ponto foi duplamente injusto com o Idelber. Primeiro porque o blogueiro acadêmico criticado por ele  foi duramente acusado do contrário em seu blogue (a meu ver justamente) por ter sido arrogante e paternalista ao defender uma família de parvenus  num aeroporto (aqui, aqui e sobretudo aqui, ver caixa de comentários). Do meu ponto de vista, o Idelber pode ser criticado, naquele texto, por ter sido uma espécie de sociólogo- justiceiro sem nuance sociológica, justamente por usar um sistema de classificação social solto para identificar tipos de classe média que, segundo ele, interagiam no aeroporto. A falta de nuance sociológica revelou uma atitude paternalista, arrogante e elitista abundantemente criticada naquela caixa de comentários.

 Mas o que uma coisa tem a ver com outra?O que a injustiça do Nassif diz do debate como um todo?

Tratou-se de um momento em que o blogueiro foi acuado dentro do próprio blogue pela maioria dos comentaristas. Percebam que meu ponto de vista crítico com relação ao conteúdo da crônica de Idelber não se altera quando tento dar outro rendimento ao caso do aeroporto de Miami. Mas o que importa, de fato, quanto ao que está em jogo entre o Idelber e o Nassif, é que o primeiro deixou a caixa de comentário aberta – prática quase inexistente entre os blogueiros-jornalistas oriundos da velha mídia, e foi para o embate, dentro da caixa de comentários.

E mais uma vez o leitor pode se perguntar, mas o que uma coisa tem a ver com outra? O foco central de minha análise chama a atenção para as categorias de classificação utilizadas na querela para apontar as coisas que estão em jogo nos diferentes estilos de blogagem.  Um dos focos dessa tentativas de classificação, como vimos até aqui, visa separar estilos de blogues entre categorias como “novo x velho”, “prático implicado x teórico desengajado”. Ora, chama a atenção nesses “novos tempos” que antigamente, os blogueiros tinham mais controle sobre o que poderia ser dito sobre eles, já que tinham controle total da caixa de comentários. Hoje em dia com o twitter, por exemplo, isso me parece obsoleto. Tanto é que o grande embate na questão do Nassif (a polêmica do faminazi) não se deu na caixa de comentários de seu blogue, mas no twitter. E é preciso notar que Nassif demonstrou bastante ansiedade, para não dizer total descontrole,  sobre o que disseram dele no twitter. Trata-se de um lugar onde ele não tem nem pode ter controle. Eis um primeiro ponto a ser pensado. Mas voltemos às análises.

 Esses elementos demonstram a meu ver que o que está em jogo nesse caso específico não são as opiniões políticas e ideológicas a respeito do feminismo, mas o espaço a ser ocupado na blogosfera. O Idelber não pode ser resistente à acensão de novos protagonistas sociais de maneira geral(como mostra a igenuidade sociológica com que ele tratou a questão no caso do aeroporto), mas ele o é, segundo Nassif, na blogosfera. É  isso que o Nassif tenta insinuar com a metáfora da resistência do Idelber (que é um “blogueiro histórico”, eu adoro essas classificações) a blogues de “parvenus” (“jornalista-blogueiro”), que é como o Nassif se encara na blogosfera. Parece-me que apesar de inadequada como acusação, a crítica do Nassif seja significativa de uma batalha ainda por ser elucidada nos seus pormenores.

Na minha opinião o Nassif foi, por isso, duplamente  injusto: primeiramente na identificação de classe (Idelber equiparado à classe média resistente), e, depois,  ao  expor uma tensão de bastidores a respeito de suposto plágio que o Idelber teria sofrido em seu blogue, que não tinha nada a ver com a questão. Nassif usava assim, contra o Idelber, um falso weekleakdonassif:

“Prezado Idelber

uma leitora do grupo que está me detonando entrou no Blog para me

“acusar” de não ter dado crédito a um artigo seu. Tive a curiosidade

de conferir seu timeline e li acusação semelhante sua, embora sem

citar meu nome de usuário.

Diariamente publico em média 50 posts, grande parte de comentaristas

do Blog. Sempre alerto para colocarem link e fonte

(http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-5-de-setembro-da-folha).

Mas não tenho condição de conferir todos os posts e saber quem é o

autor. Sempre que alertado por algum comentário, procuro corrigir

imediatamente a informação.

Se você tivesse tido a iniciativa de me mandar um email que fosse, um

recado pelo twitter, imediatamente a autoria seria corrigida. Em vez

disso, leio twitts seus com essas insinuações:

@ManiOhS @vleonel Deve ser o mesmo assistente que copia e publica

traduções minhas sem creditar ou linkar a fonte…

As mesmas, aliás, feitas pela leitora. Confesso não ter entendido esse

movimento. Muitas vezes posts meus saem em outros blogs sem o link.

E não vejo nenhuma intenção de boicote ou de se apropriar de temas

alheios. Muitas vezes os posts são clonagens de posts colocados pelos

leitores em seus respectivos blogs no Brasilianas.

Se conferir o Blog, há uma infinidade de posts do Azenha, Rodrigo,

PHA, suas (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-resposta-de-dilma-sobre-o-ira).

Se tivesse sido alertado por você, imediatamente teria providenciado a

correção da autoria. Acredito que entre pessoas maduras, esse é o

melhor procedimento, inclusive para evitar esse acúmulo desnecessário

de mágoas.

Independentemente do episódio, peço que me envie links ou títulos dos

posts em que não há crédito a você, para que possam ser devidamente

corrigidos.

Abraço,

Nassif”

Depois de mostrar o e-mail pessoal usa, o que me parece mais grave, a resposta do Idelber:

” Carissimo Nassif:

Te respondo muito precariamente, de uma roda de choro, em Ouro Preto, pelo telefone. Vou conferir tudo e fazer, com calma, um post bem ponderado. Te adoro, meu cumpadi.

Idelber”

Para depois insinuar deslealdade da parte de Idelber: “No dia seguinte, novo post em seu blog, colocando mais gasolina na fogueira que estava começando a apagar.”

Não é meu papel aqui medir o grau de honestidade entre os dois. Lendo apenas o texto do Nassif, porém, é  possível encontrar alguns não ditos. É importante lembrar, para contextualização, principalmente por conta de tudo que separa o Idelber do Nassif, que apesar de se dizer contra a velha a mídia – o que de fato acho que ele é em certo sentido –  Nassif adquiriu boa parte de seu capital simbólico na atuação dele na Folha de S. Paulo. Foi lá que ele tornou-se conhecido, sim, e por conta da velha mídia. Assim como Paulo Henrique Amorim e Azenha. É verdade que eles dão “visibilidade” aos Cloacas da vida, porque são famosos. Não se pode desmentir esses fatos. Mas o que venho chamar a atenção é que não há nenhuma reflexão por parte de Nassif sobre as origens dessa posição-chave que permite dar “visibilidade” a outros blogueiros. A contraposição com a trajetória de Idelber é didática nesse sentido, pois trata-se de alguém sem nenhum vínculo com a grande mídia e que conseguiu prestígio na blogosfera adquirindo capital simbólico a partir da própria blogagem(claro, o fato de ser professor universitário implica em outra forma de fazer render o capital simbólico na blogagem).

Do outro lado, é interessante  perceber que a resposta do Idelber tenha sido, também, uma reafirmação dos princípios norteadores de seu blogue. Porque é isso mesmo que está em questão. E, ao ser acusado de falta de lealdade, responde claramente:

“Mas posto que o Nassif fala de lealdade, deixe-me definir meu conceito de lealdade na rede: 1. explicitar publicamente discordâncias sempre que se tratar de coisa pública, ou seja, post publicado na rede, por exemplo; 2. não reproduzir posts sem crédito e link; 3. não publicar informações pessoais de ninguém em meio a polêmicas, tipo lugar onde fulana trabalha etc.; 4. Jamais publicar correspondência privada passiva sem autorização de quem escreveu. 5. Jamais “baixar o nível” numa polêmica falando da vida pessoal de ninguém.”

É a maneira de blogar que está em jogo. É ela que é o foco central do debate por trás das querelas sobre machismo e feminismo. Para mim, a melhor síntese dessa conversa, até agora,  está muito bem colocada por Hugo Albuquerque . Em um comentário muito atento dele encontramos:

“[…] A reação corporativista de lado a lado, aliás, foi reveladora. O episódio foi um catalisador que antecipou um debate sobre algo que estava passando desapercebido na blogosfera, a formação de uma lógica hierarquizada de rede, na qual os blogs-jornalísticos ditavam a pauta e a natureza da crítica devidamente legitimados, mistificados e blindados em relação a qualquer questionamento. A primeira vez que um deles sofreu uma cobrança mais séria bastou para que, ao invés de entrarem em um debate, dessem uma grita se dizendo vítimas de uma fantasmagórica “crítica destrutiva”. E a revelação da reação foi auto-explicativa. Aliás, isso me mostrou como a situação era pior do que eu supunha.”

O “P.S” de Hugo deixa ainda mais claro o ponto vista aqui tratado:

“P.S.: Quando eu falo em jornalistas-blogueiros, estou dizendo em gente que veio da velha mídia e, embora se oponha a ela, ainda traz consigo uma certa lógica de comunicação hierarquizada e estranha à própria blogagem. Existem jornalistas que têm blogs e blogam de verdade como o João Villaverde, por exemplo.”

A blogagem de verdade tem uns verbos bem estranhos, mas muito importantes, como linkar, por exemplo. Acho, porém, que outras questões ligadas a história de vida precedente de cada blogueiro explica bastante as tomadas de posição e características de seus blogues. Seria preciso um debate sério e honesto sobre quais práticas garatem com mais clareza a horizontalidade na relação com a opinião e a informação.

Disse que não tomaria partido, mas, relendo, acho que tomei sim, em consequência da análise. Vejo no blogue do Nassif, apesar da importância que ele tem no sentido de dar visibilidade a outros blogues mais autorais, também da qualidade de comentaristas e do jornalismo que podemos lá encontrar, apesar disso, encontramos muitos resquícios de práticas da velha mídia que ele com toda sinceridade luta contra.

  É, a internet definitivamente trouxe novas liberdades, mas com elas chegam também novas maneiras de reproduzir hierarquias bem antigas… acadêmicas e jornalísticas. De minha parte deixo esse pequeno esforço de tirar proveito de uma polêmica  muito rica de significados dentro de um universo que faço parte sem nenhum interesse de protagonismo.

Ps. Esse post foi imensamente enriquecido com os comentário críticos de Cesar.

Um pensamento sobre “Por que o progresso não traz a ordem na blogosfera: Idelber x Nassif

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