Nassif já pode dizer: assassinato de reputação é comigo mesmo

Escrevo essa nota por duas razões:

1- discordo do lugar de onde fala Nassif para, daquela maneira, criticar uma produção acadêmica e a utilização do dinheiro público (aqui). Falo com a dignidade de quem escreveu em sua própria tese, podendo dar um tiro no próprio pé, uma crítica contudente do modus operandi de sua própria instituição. O problema aqui é justamente esse: Nassif não tem nada a perder. Sua crítica externa, pela extensão nacional de seu blog,  torna-se um despropósito moral, pelo ímpeto destrutivo. Qual proposição vemos para a difícil questão de saber de antemão, a priori, o que é e o que não é relevante numa pesquisa acadêmica? A ideia fácil que vincula “urgências sociais”, “problemas sociais”, “utilidades sociais” aos problemas sociológicos não conformam, como a experiência de quem faz pesquisa diz, os mecanismos próprios dos avanços lentos e graduais que mostram que nem sempre as melhores descorbertas acadêmicas nesse domínio estão na correspondência entre o que é problema social e problema sociológico.

2- O segundo problema ético da crítica assim proferida, é que ela não possibilita meios para que o debate se faça de maneira justa. Há dissimetria entre as partes porque  o debate acadêmico normalmente se dá em esferas restritas e não existe espaço para que sua lógica se reproduza na linguagem blogueira tal qual utilizada pelo Nassif.  Ora, o blog de Nassif tem um público amplo. E, como explicitei nesse texto sobre uma querela entre ele e Idelber Avelar , o blog dele funciona  de forma semelhante aos grandes veículos da mídia tradicional. A dissemetria é tão mais importante quanto mais controle há sobre quem pode ou não publicar posts no corpo do próprio blog. É evidente que, por mais que a caixa de mensagens seja aberta, não é possível uma defesa de mesmo “prestígio” que uma resposta dada com status de um post.

Dito isso, reafirmo: acredito que uma das questões mais urgentes das universidades brasileiras seja a que discute a pertinência e a relevância dos objetos de estudo em pesquisas que recebem dinheiro público. Agora, quem define o que é prioritário, os critérios de quem define, tudo isso deve ser debatido e decidido dentro do universo próprio da dinâmica acadêmica ao risco da autonomia de pesquisa ser comprometida. Não há como não achar deplorável que alguém de fora do campo, não por ser de fora, mas por não respeitar as dinâmicas próprias que devem ser respeitadas no processo da crítica (o que não se confunde com corporativismo),  exercendo um tipo de violência simbólica que  ele mesmo tão bem desmascara no seu trabalho investigativo e interessado sobre a revista Veja, tente  de forma tão irresponsável, assassinar a reputação de um pesquisador universitário.

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